Foi o compositor mais célebre, o mais fecundo, e também o mais aplaudido na Alemanha do Barroco tardio. Autodidata na mais completa acepção da palavra, aprendeu música através do estudo profundo de partituras de Lully e Campra. Telemann, ao longo de uma vida excepcionalmente tão longa quanto ativa, compôs, desenvolveu e tratou da música em todos os estilos e segmentos conhecidos na época, tais como: Concertos para um, dois, três ou mais instrumentos; Suites Orquestrais e Ouvertures; Cantatas; Óperas; Oratórios; Paixões e uma quantidade impressionante de música de Câmara de toda a gama e descrição, que jorrava abundantemente de sua paleta.

Órfão de pai e mãe desde a tenra idade de 4 (quatro) anos, Telemann estudou na Domschule de Magdeburg, Zellefeld e Hildesheim.  Com a idade de 12 anos, compôs sua primeira Ópera.

Em 1701, estudou Jurisprudência e Idiomas Modernos na Universidade de Leipzig. Durante sua estada nesta cidade, visitou o jovem Haendel em Halle. Estava já tão avançado em seus estudos e conhecimentos musicais, que em 1702, aos 21 anos, foi nomeado organista na Neukirche, em Leipzig. Também foi contratado para produzir, a cada 15 dias, uma peça sacra para ser executada na Thomaskirche de Leipzig, onde Johann Kuhnau (1660-1722) era Kantor.

Telemann fundou também um Collegium Musicum em Leipzig, conjunto composto de estudantes de música, e com o qual obteve estrondosos êxitos. Tal feito desagradou profundamente a Kuhnau, porquanto os estudantes preferiam cantar e tocar no Collegium em detrimento da Thomaskirche.

Em 1704, Telemann foi chamado a Sorau, como Kappelmeister do Conde Primnitz, onde travou amizade com os poetas E. Neumeister e W. K. Printz, e o talentoso Carl Wilhelm Ramler, que veio a ser o autor dos textos da maioria de suas Cantatas e Oratórios. Em 1708 se mudou para Eisenach, onde foi nomeado Konzertmeister, sucedendo em 1709 a Hebenstreit como Hofkappelmeister, mantendo este titulo até a sua morte, apesar de ter vivido em Eisenach somente por 4 anos. Foi também em Eisenach que Telemann fez amizade com Johann Sebastian Bach, tendo sido padrinho de batismo de um de seus filhos, Karl Phillip Emanuel Bach, cujo nome era uma homenagem ao já então famoso padrinho.

Em 1712, Telemann se mudou para Frankfurt, tendo sido nomeado Kirchekappelmeister da Barfusser e da Katharinenkirche. Neste posto, compôs muitas Suites e Ouvertures de Orquestra para o Collegium Musicum de Frauenstein.

Em 1721, foi nomeado Stadtischer Musikdirektor das 5 Igrejas Principais de Hamburg, onde permaneceu até a sua morte, compondo às vezes para uma só festa um conjunto de até 5 Cantatas.

A fama de Telemann nesta época já era tão grande que ele se dava ao luxo de poder escolher não só o cargo como o local de trabalho que mais lhe agradasse. Assim é que, em 1722, círculos ligados às Igrejas de Hamburg tentaram impedir a sua participação cada vez mais ativa na Ópera da cidade. Ele respondeu se candidatando para o cargo de Kantor da Thomasschule e Stadtischer Musikdirektor em Leipzig, cargos que estavam vagos com a recente morte de Johann Kuhnau. Feita uma eleição em Leipzig, a administração daquela cidade imediatamente o nomeou para os cargos pretendidos, em detrimento momentâneo de Johann Sebastian Bach. Quando a noticia chegou em Hamburg, aquela cidade não só aumentou regiamente o seu salário, como também o nomeou, cumulativamente com os seus outros cargos, Generaldirektor da Ópera, que era o que o nosso amigo Telemann pretendia desde o início. Assim, Telemann declinou do convite para assumir em Leipzig, fato que desagradou profundamente o meio musical daquela cidade, que procedeu à uma nova eleição, e teve de se contentar em nomear o "segundo colocado" na eleição anterior, o até então pouco conhecido Johann Sebastian Bach.

Contrariamente ao seu amigo e contemporâneo J.S.Bach, Telemann nos oferece dois estilos musicais: Domina soberanamente a polifonia do Barroco, porém com a mesma habilidade e virtuosidade, encaixa o gosto melódico das escolas Italiana e Francesa, sem perder o seu caráter nacional Germânico. Apesar de tudo isto, é notável a influência Moraviana na composição do Concerto Polaco e também nas Sonatas Polacas. Pelo encanto de suas harmonias, o brilho de suas idéias formais originais, H.J. Moser o chamou de “o Richard Strauss do último Barroco e Rococó”.

Ao contrário de J.S.Bach, Telemann se libertou das formas de composição barrocas e tornou-se um pioneiro do estilo clássico. Avesso a badalações e isento do menor resquício de vaidade e egoísmo, Telemann assinava grande parte de suas obras com o pseudônimo de Melannte, que nada mais é que uma anagrama de seu próprio nome. Dotado de uma laboriosidade fantástica, Telemann deixou para a humanidade um montante de composições cujo volume supera, em muito, o somatório das obras de Bach e Haendel reunidas.

A posteridade deixou que a obra de Telemann caísse na relativa obscuridade, principalmente depois da redescoberta, em meados do século XIX, da obra de Bach e dos outros mestres barrocos. Seu trabalho tem sido considerado de nível inferior ao dos mestres maiores como Haendel e Bach, mas comparações de valor são difíceis de fazer, pois os valores mudam com as épocas. Em seu próprio tempo sua fama e prestígio entre o público, e o respeito que lhe tributavam os outros músicos, musicólogos e conhecedores, foram igualados ou superados só por escassíssimos outros talentos na história da música, enquanto J.S. Bach, por exemplo, era considerado em seu tempo fora de moda e obscurantista por seu excesso de polifonia e esquemas formais que remetiam ao alto Barroco e mesmo à Renascença. A Telemann-Wiedergeburt Einrichtung, Instituto de Musicología mantido pelo Governo Alemão, busca, com suas novas edições e publicações da obra de Telemann, lhe devolver as honras devidas.

Fonte: http://www.navedapalavra.com.br/resenhas/telemann.htm