
Enquanto for lembrado, o nome de Johann Strauss Jr.
estará sempre ligado ao do pai, Johann Strauss, e ao dos irmãos,
Eduard e Josef. Apesar de ser claramente o maior deles, Strauss Jr.
é mais o símbolo de uma entidade ainda maior: a família Strauss.
O patrono da dinastia dos "reis da valsa", Johann Baptist Strauss,
nasceu em Viena no dia 14 de março de 1804, filho de um taverneiro,
Franz Strauss. Iniciou desde cedo carreira de violinista, tocando na
orquestra de dança de Joseph Lanner. Depois de firmar sua reputação,
fundou em 1825 sua própria orquestra. Em algum tempo, já era o mais
célebre compositor e intérprete de dança em Viena. Em 1846,
tornou-se diretor dos bailes da corte vienense. Johann Strauss
morreu em 25 de setembro de 1849.
Johann Strauss foi o principal criador da valsa vienense. Baseada
principalmente na dança camponesa austríaca ländler, a valsa ganhou
características bastante peculiares nas mãos de Strauss: elegância,
mas robustez e muita vivacidade. Embora sendo uma dança graciosa e
aristocrática, a valsa de Johann Strauss não escondia suas origens
populares.
Strauss compôs centenas de polcas, marchas, quadrilhas, galopes e,
claro, valsas. Sua peça mais conhecida é a Marcha Radetzsky,
composta em 1848. Porém, é inegável que sua maior obra seja mesmo o
filho Johann Strauss Jr.
Johann Strauss Jr. nasceu em 25 de outubro de 1825, em Viena. Embora
seu pai não quisesse que o filho seguisse carreira musical, os
impulsos de Johann Jr. o fizeram contrariar a vontade do pai.
Estudou música com Joseph Dreschler, e quando o pai abandonou a casa
da família para viver com uma chapeleira, em 1842, sentiu-se
estimulado a competir com ele no mundo da valsa vienense.
Em 1844, quando tinha apenas 19 anos, Johann Jr. fundou uma orquestra
de danças, que estreou no outubro do mesmo ano. O repertório era
formado por valsas e outras danças de vários autores, inclusive
algumas peças de seu pai e outras de sua própria autoria. Foi um
enorme sucesso. Tanto que, para atingir aos pedidos do
entusiasmadíssimo público, uma das composições de Johann Jr. teve de
ser repetida 19 vezes.
A carreira de Strauss Jr. foi impulsionada desde então por um sucesso
tão vertiginoso quanto o ritmo rodopiante das valsas que compunha.
Ele e sua orquestra viajavam em grandes e animadas excursões por
toda a Europa, e em 1872 Strauss Jr. se apresentou nos Estados
Unidos. Seus concertos atraíam tanto o público quanto compositores
consagrados como Liszt, Wagner e Brahms, que gostava tanto de suas
obras que chegou a lamentar o fato do Danúbio Azul não ser de sua
autoria.
Mesmo com essa agenda cheia, Johann Strauss Jr. ainda encontrava tempo
para compor uma interminável lista de obras - mais de 200 valsas, 32
mazurcas, 140 polcas e 80 quadrilhas, num total de 479 obras
publicadas, mais dezenas de peças manuscritas e outras realizadas em
parceria com seus irmãos. Suas danças são, de longe, as mais bem
realizadas de sua época. Johann Strauss Jr. elevou a valsa a níveis
máximos de qualidade e sofisticação musical: grandes introduções,
quase sinfônicas, codas elaboradas, detalhismo na orquestração,
elementos nunca vistos antes - nem mesmo em Strauss pai - na escrita
de valsas.
Ao mesmo tempo, Strauss Jr. levava uma vida privada bastante agitada.
Como que seguindo o caminho do pai, casou-se três vezes, mantinha
inúmeras aventuras sexuais e ficava constantemente doente tanto por
"excessos amorosos" como por seu ritmo intenso de trabalho. Os
registros dão conta de um grande colapso nervoso e diversos
tratamentos de icterícia, gota, intoxicação por nicotina, nevralgia,
desfalecimentos...
Na década de 1870, a vida - e, principalmente, a obra - de Strauss
adentrou em um novo rumo. Ele, induzido pelos diretores do Theater
an der Wien, casa de espetáculos viensense, e inspirado pelo
estrondoso sucesso que a excursão de Offenbach pela cidade fez,
começou a escrever operetas.
As duas primeiras foram Indigo, de 1871, e O carnaval de Roma, em
1873, mas não encontraram grande sucesso. A obra-prima definitiva
viria apenas em 1874, com O morcego, com libreto de Carl Haffner e
Richard Genée, a partir de O réveillon, de Meilhac e Halévy, ambos
libretistas de Offenbach. Foi um sucesso que se mantém até hoje. O
morcego transcendeu sua existência de opereta cômica e hoje pertence
ao repertório tradicional das grandes casas de ópera em todo o mundo.
A partir de O morcego, Strauss Jr. passou a ser tanto o compositor e
regente dos animados bailes vienenses, quanto o autor de inúmeras
operetas de sucesso nos teatros da cidade: Uma noite em Veneza, de
1883, O barão cigano, de 1885, Sangue vienense, de 1899, entre outras
obras.
O Strauss Jr. da opereta é, no entanto, o mesmo da valsa. Stéphane
Goldet faz uma observação bastante interessante: "não apenas a opereta
inspirou algumas de suas valsas de maior sucesso, como também formou
um corpo tão coeso com a valsa que se pode adiantar a seguinte
hipótese: a opereta vienense é definitivamente uma espécie de
gigantesca encenação de idéia de valsa".
Johann Strauss Jr. morreu, em Viena, no dia 3 de junho de 1899, poucos
meses antes dos 50 anos da morte do pai.
A maior contribuição de Strauss Jr. - e, por extensão, da família
Strauss - à música não se enquadra na concepção atual de "música
erudita", no sentido de um Bach, de um Beethoven. De fato, a música
dos Strauss sempre foi, por definição, uma música popular, mesmo
quando dançada nos salões do imperador: ritmos contagiantes,
memoráveis melodias, alegria inebriante. Nessas valsas, não há muito o
que pensar, o que refletir. O que interessa é dançar, aproveitar o
momento, sentir a vertigem dos rodopios e a alegria de viver à
vienense.
E, para coroar esse espírito imensamente popular, as peças mais
famosas dos Strauss - Marcha Radetzky, Valsa do imperador, Vozes da
primavera, Tritsch tratsch polka, Relâmpagos e trovões, Vida de
artista, Pizzicato polka, Bombons vienenses, Contos dos bosques de
Viena, o indefectível Danúbio azul, entre outras obras - se não se
encontram até hoje "na boca do povo", certamente são instaneamente
reconhecidas.
Se de maneira nenhuma faz parte da galeria dos "grandes" compositores,
Johann Strauss Jr. faz, sem dúvida nenhuma, parte da galeria dos
músicos mais amados pelo público de todos os tempos. E não há prêmio
mais importante para um artista do que esse.
Fonte: Site Allegro