
Seu
primeiro treinamento musical veio de seu pai, um organista
profissional. Após, entrou numa escola jesuíta, e então passou um
ano de estudos na Itália. Pode ter tocado violino em uma orquestra
de teatro. Em 1702 foi indicado maître
de musique da Catedral
de Avignon, mas no mesmo ano mudou-se para a Catedral de Clermont.
Em 1709 estava em Paris como organista do Colégio Jesuíta. Voltou
a Dijon em 1709 como co-organista da igreja de Notre Dame, mas em
1713 já estava em Lyon, e em 1715 voltava a Clermont para um
contrato de 29 anos como organista.
Em
1722, entretanto, estava em Paris, onde deveria permanecer; havia
deixado Clermont para supervisionar a publicação de seu
Traité de l’Harmonie, um trabalho profundo e controverso,
particularmente no que se refere à sua nova teoria, baseada em sua
compreensão das propriedades físicas do som, e na relação do
baixo para com a harmonia. O Traité
lhe trouxe ampla notoriedade. Como compositor, era conhecido somente
por sua música para teclado (uma segunda coleção apareceu em
1729-30) e por suas cantatas, ainda que tenha escrito alguma música
de igreja.
Suas
ambições, entretanto, estavam na ópera, e na idade de 50 anos, em
1733, teve sua primeira ópera, Hippolyte
et Aricie, apresentada na Ópera de Paris. Esta obra suscitou
viva admiração, arrebatamento e excitação, juntamente com
frieza, esta principalmente da parte da audiência que considerava
Lully como o único padrão musical válido. Mesmo assim foi
bem-sucedida, como o foram as que se seguiram nos anos após. Sua ópera-ballet
Les Indes Galantes teve 64
apresentações dois anos depois, e Castor
et Pollux teve uma temporada inicial de 21 performances.
Rameau
teve vários patronos, como o financista La Pouplinière. Andava
entre círculos eruditos, e teve Voltaire como amigo. Na década de
1740 continuou seu trabalho teórico, e envolveu-se em diversas
controvérsias. Em 1745 foi nomeado Compositeur
de la Chambre du Roy, tendo diversas de sua obras estreadas no
Teatro da Corte. Nove outros trabalhos cênicos apareceram nos anos
1740, iniciando com La
Princesse de Navarre, e a comédia Platée,
mas de 1750 em diante só foram escritas duas obras importantes,
pois Rameau estava cada vez mais envolvido com a teoria e com polêmicas
contra Rousseau, Grimm e mesmo antigos aliados, alunos e
colaboradores como D’Alembert e Diderot. Quando morreu, em 1764,
era amplamente respeitado e admirado ainda que fosse considerado
anti-social e avarento.
A música para cravo de Rameau é notável por sua variedade de textura, sua originalidade melódica e audácia harmônica. Mas sua contribuição principal está nas óperas, especialmente as chamadas tragédies lyriques. Ele antecipou a reforma de Gluck ao relacionar a abertura ao drama subseqüente. Trouxe às danças a uma notável variedade de atmosferas, mesmo que restritas na forma a padrões tradicionais, usando uma rica paleta orquestral e audazes linhas melódicas. Diderot elogiou sua habilidade de caracterizar a ternura, a volúpia, a lascívia e a paixão. Escreveu muitos monólogos altamente patéticos, usualmente no início dos atos das óperas, com linhas vocais amplas e intensas, com acompanhamento rico, mas sóbrio. Seu estilo de recitativo, mesmo seguindo o modelo italiano, é mais flexível no ritmo e mais expressivo na declamação. Tragédias como Hippolyte et Aricie, e Castor et Pollux, com suas caracterizações nobres, e linhas, orquestração e harmonia eloqüentes, amparadas por divertissements habilmente distribuídos, que reforçam antes que diluem o poder da ação dramática, estão entre as maiores criações do drama musical francês.
Fonte: http://w3.rz-berlin.mpg.de/cmp/rameau.html