Nasceu em São José del Rei, atual Tiradentes. Não há nada que
indique que ele tenha feito viagens ou qualquer contato com outros
compositores no estado de Minas Gerais durante sua longa vida. Alcançou
o auge de sua carreira musical (ele era também um excelente copista)
no último quarto do século XVIII. Suas composições eram muito
populares dentro e fora do chamado Campo das Vertentes e Vale do Rio
das Mortes. Manoel Dias de Oliveira, junto com Lobo de Mesquita e João
de Deus de Castro Lobo, é um dos compositores mais freqüentemente
encontrado nos arquivos brasileiros (apesar de muitos dos manuscritos
atribuídos a ele serem de autenticidade duvidosa).
Já
quando criança pequena ele era atraído pela música executada na
catedral de Santo Antônio. Ele memorizou as diferentes vozes do
repertório tradicional e aprendia as novas obras muito rapidamente.
Ele escondia-se secretamente na igreja para ouvir os ensaios de música.
Conta-se a história que o padre Francisco da Piedade, ao atravessar o
pátio da igreja, ficou impressionado ao ouvir o jovem mulato cantando
partes de uma composição de Josquin des Près enquanto brincava com
formigas. O padre imediatamente convidou o menino a juntar-se ao coro
e deu a ele a oportunidade de estudar teoria, contraponto e orgão. A
fim de ganhar um pouco de dinheiro, ele começou a trabalhar como músico
copista, rapidamente ganhando reputação neste campo.
Detalhes
sobre sua vida são escassos. Ele era membro da Fraternidade Ordem
Terceira de São Francisco, e recebeu o título de Capitão da
Cavalaria a Pé da Rainha Da. Maria I (este era o mais alto título
que alguém de pele escura podia receber). O correspondente documento
foi encontrado na Torre do Tombo, em Portugal, pelo musicólogo José
Maria Neves.
Está
escrito no seu atestado de óbito: Capitão Manoel Dias de Oliveira
morreu, depois de receber todos os sacramentos, de uma aflição no
peito, no dia 19 de agosto do ano de 1813. Mulato, casado com Anna Hilária,
mestre da composição musical, membro da ordem de São Francisco. O
serviço fúnebre, com os últimos sacramentos, foi celebrado pelos
padres com dois coros no dia 21 do mesmo mês, sob apoio de sua eminência
do Coadjutor Bonifácio Barbosa Martins. Foi enterrado na cova número
dois da Capela de São João Evangelista.
Da vasta obra de Manoel Dias de Oliveira uma mínima parte é considerada autógrafo do compositor, outras obras trazem clara menção de autoria (pelos copistas), enquanto a maior parte consta de atribuições de autoria, apoiadas em tradição oral ou em estudos estilísticos comparativos.