
Nascido
no Rio de Janeiro de onde jamais saiu, foi filho de português com
uma escrava. Mestre da Capela Real, ele surge na história
brasileira como o músico mais importante do período colonial.
Compositor dos mais prolíficos de seu tempo, de seu repertório
constam inúmeros motetos, missas, requiems, matinas, obras
orquestrais, graduais, etc. Somente Salmos, constam por volta de 90
compostos de maneira independentes ou relacionados à Vésperas. Músico
muito importante de sua época, apesar de nunca ter saído do
Brasil, foi um grande precursor e fomentador do movimento musical de
sua época. Muito conhecido mesmo em vida, suas obras eram também
noticiadas na Europa (ex: a Gazeta de Lisboa noticia em 10 de maio
de 1791, um Te Deum de sua
autoria cantado pelos membros da Irmandade de Sta. Cecília).
Organista
e compositor, filho de gente de condição humilde, perdeu o pai aos
5 anos. Desde muito novo manifestou invulgar inclinação para a música,
mas, além do solfejo aprendido com o pardo de nome Salvador José,
a sua educação nesta arte parece ter sido inteiramente a de um
autodidata. Começa a compor aos 16 anos. A sua mais antiga obra
conhecida é uma antífona, Tota
pulchra est Maria. Para prover ao seu sustento, lecionava,
cantava nas igrejas e tocava em sessões musicais particulares. O único
instrumento de que nesta altura dispunha era um violão, embora mais
tarde viesse a afirmar-se como cravista e organista de mérito.
Distinguia-se também como magnífico improvisador. Em 1790 compõe
uma Sinfonia fúnebre para
orquestra, e, em 7191, um Te
Deum, destinado a celebrar o regresso à Europa do vice-rei Luís
de Vasconcelos.
Em
1972 recebe ordens, o que lhe permite consagrar-se com mais
continuidade à composição, e em 1798 é nomeado mestre de capela
da Sé-Catedral do Rio de Janeiro, obtendo no mesmo ano licença
para pregar, ministério que exerceu com grande brilho. D. João VI,
chegado ao Brasil em 1808 e aqui instalado na qualidade de príncipe
regente de Portugal, agrada-se do talento de pregador e músico do
P. José Maurício e por mais de uma vez lhe demonstra o seu apreço
e a sua consideração. Instala-o na sua corte, nomeia-o inspetor da
Capela Real (na qual havia sido incorporada a antiga capela da Sé)
e defendeu-o mesmo das manobras do ciumento e prepotente Marcos
Portugal, que em 1811 havia vindo juntar-se à corte e fora nomeado
Mestre da Capela Real, bem como Diretor da música
da corte. Foi este o período de mais intensa produção do
compositor. Infelizmente, da maioria das obras escritas por esta
altura só há noticias, havendo-se perdido as respectivas
partituras. A febre com que compõe provoca-lhe o esgotamento
cerebral que acusa nos últimos tempos da sua vida. Aliás, depois
do regresso de D. João VI a Portugal, em 1821, José Maurício,
apagado o estimulador brilho da corte do príncipe regente, pouco
compõe.
O Padre José Maurício Nunes Garcia é, historicamente a primeira figura de relevo da musica brasileira. O que se conhece da sua obra encontra-se quase na sua totalidade em manuscrito. O núcleo mais importante destes manuscritos acha-se na biblioteca da Escola Nacional de Música do Rio de Janeiro.
Fonte: http://www.luteranos.com.br/101/coral/artigos6.htm