Filho de Leopoldo Mozart (1719-1787), mestre de capela da corte do príncipe-arcebispo de Salzburgo, e de Ana Maria Pertl (1720-1778). Desde os três anos assiste as lições de cravo da sua irmã Maria Anna. Leopoldo decide consagrar a sua vida à educação musical e à carreira dos filhos.

Wolfgang Amadeus Mozart foi um dos maiores fenômenos do gênero humano. Foi o maior compositor de seu tempo e atingiu o mais alto nível em todas as formas musicais - óperas, sinfonias, concertos, música de câmara, missas, oratórios, música pra coro e piano. Ainda foi o melhor pianista, regente e organista da Europa. Mozart foi o compositor mais completo da história da música.

Nascido em 1756, foi uma criança prodígio, com características absolutamente especiais. Aos 3 anos já tocava piano, aos 4, já apontava e corrigia os violinos desafinados, era capaz de decorar uma música em meia hora. Aos 5 anos era um cravista que merecia atenção, e aos 6 anos começou a compor.

Leopold Mozart, seu pai, era um músico de qualidade, foi vice-diretor do epicospado  de Salzburgo. Violinista de certo respeito, escreveu um tratado de como se tocar o instrumento. Sua maior obsessão  era conseguir que seu filho chegasse rapidamente a ocupar o melhor emprego possível e enriquecesse o suficiente para rechear sua velhice de conforto e segurança. Levou Wolfgang pela metade da Europa para tocar em academias, teatros e de preferência nos salões da nobreza. Essa obsessão paterna rendeu bons frutos para Wolfgang, pois enquanto os jornais alardeavam suas façanhas infantis, ele entrava em contato com os maiores compositores de seu tempo.

É muito difícil uma criança prodígio se tornar uma pessoa normal na fase adulta. Nessa época essas crianças passavam o tempo cercadas de adultos, eram  mimadas, em geral tinham a educação limitada a uma área específica e costumam ser exploradas pelo pai. E na primeira biografia de Mozart, em 1793, dizia:

"Foi assim que este ser estranho rapidamente converteu-se em homem, no que diz respeito a sua arte, e continuou criança para sempre em quase todos os demais assuntos. Nunca aprendeu a se governar, e precisava sempre de uma mão para ser guiada."

Mozart era baixo, tinha a pele amarelada, e a pele do rosto marcada pela varíola. Sua cabeça era desproporcional para o corpo franzino. Enxergava mal, e tinha olhos azuis saltados, mãos gordas, e cabelo espesso. Era arrogante, impulsivo, dizia exatamente o que pensava dos outros músicos e compositores, e na maioria das vezes era muito negativo no que pensava. Vivia mergulhado em indecisões sobre qualquer assunto, dos mais sérios ao triviais. Seu péssimo temperamento e sua teimosia não o ajudavam a fazer amigos.

Ao longo dos anos, tentou se livrar do pai obsessivo, avarento e ambicioso. Leopold bombardeava o filho com cartas carregadas de conselhos e reprimendas. Desesperava-se com a facilidade que Wolfgang tinha para gastar mal o dinheiro. Não compreendida como seu filho não conseguia arranjar um emprego bom, seguro, bem pago.

Wolfgang queria algo diferente, pois naquele tempo todo o músico tinha um patrão: A igreja, a corte, um nobre rico, um aristocrata. Ele pretendia encontrar uma espécie de protetor que tivesse, além de dinheiro, sensibilidade para deixá-lo compor sem exigir nada e sem interferir. Não encontrou ninguém, e decidiu trabalhar por conta própria. Foi possivelmente o primeiro músico a tentar uma carreira independente. Deu certo para a sua arte, mas ele viveu e morreu sem um tostão. Ganhava dinheiro dando concertos nos salões da Europa.

Em 1778 ele conheceu, em Mannheim, a família de um cantor lírico e copista da corte chamado Fridolin Weber. Apaixonou-se por sua filha, Aloysia, que tinha 18 anos e iniciava sua carreira de cantora. Não foi retribuído em sua breve paixão, e quatro anos depois casou-se com Constanze. Nesse meio tempo, conseguiu enfim o emprego sonhado por seu pai: Organista da episcopado de Salzburgo.

Compôs bastante nesse período, que foi o de sua precoce maturidade. Escreveu a MISSA DA COROAÇÃO, CONCERTO EM MI BEMOL PARA DOIS PIANOS, SINFONIA CONCERTANTE PARA VIOLINO, VIOLA E ORQUESTRA. Naquela época, Mozart tinha 23 anos. Em 1781 Mozart foi demitido literalmente com um pontapé no traseiro. Mudou-se para Vienna onde morou por um tempo na casa dos Weber.

Constanze revelou-se uma mulher frívola, gastadora e desorganizada, porém, Mozart estava apaixonado e foi feliz ao seu lado. Apartir de 1784 as coisas melhoraram pois ele recebeu encomendas e começou a compor óperas que tiveram grande êxito.

Em 1791 compôs a Flauta Mágica e o Réquiem (A encomenda do Réquiem era do Conde Welsegg, que encomendava músicas para depois executar com o seu nome), mas já estava muito debilitado por uma doença que muitos afirmavam ser tifo. Morreu no dia 5 de dezembro e recebeu o funeral mais barato possível. Foi enterrado numa tumba sem identificação, no cemitério de São Marcos, em Vienna. Na verdade ninguém sabe onde seu corpo está enterrado.

Em seus breves 35 anos, Mozart compôs músicas de melodias inovadoras, claras, profundas e sutis, suas óperas e concertos pra piano são exemplos de perfeição. Deixou-se influenciar tardiamente por Bach, sobretudo na arte do contraponto, e também por Haendel, mas o compositor que marcou sua tragetória foi por Haydn:

"Com Haydn aprendi a escrever quartetos."

Cronologia da vida de Mozart:

1762: Primeira viagem para dar um concerto: Linz, Munique, Viena. O pequeno prodígio de seis anos regozija-se com o seu êxito e salta no pescoço da imperatriz. Improvisa pequenas peças, que o pai anota religiosamente.

1763-1766: Segunda viagem: Munique, Ausburgo, Mannheim, Magúncia, Frankfurt (Conhece Goethe), Aquisgran, Bruxelas, Paris, Dijon, Lyon, Zurique, Munique.

1768-1770: Nomeado Mestre de Concerto na orquestra da corte do Arcebispo de Salzburgo, detesta-a e pretende abandoná-la. Primeiras obras importantes (Quarteto em Sol maior).

1770-1771: Terceira viagem (sempre acompanhado do pai): Innsbruck, Verona, Mântua, Lodi, Bolônia, Florença, Roma, Nápoles, Veneza.

1778: Segunda viagem à Paris: A frívola sociedade que tinha se extasiado perante o pequeno prodígio já não quer mas ouví-lo. A mãe que o acompanhara nessa viagem, morre subitamente. O seu grande amor, a cantora Aloysa Weber, casa-se com outro.

1781: Depois de uma violenta briga com o Arcebispo Hyeronimus, que o humilha desde sua chegada de Paris, Mozart é despedido. Instala-se em Viena, na casa dos Weber, e depois por sua conta no Graben.

1782: Sua música triunfa no Burgtheater. Gluck está animado com Mozart: Mozart almoça várias vezes na casa de Gluck. Após mil dificuldades e apesar da negativa do pai, casa-se com Constanze Weber.

1783: Tinha feito votos de executar uma nova missa em Salzburg se levasse Constanze como esposa. A missa em Dó menor é executada na igreja de San Peter, com Constanze como soprano solista.

1784: Iniciação na maçonaria, pela qual se sente atraído há bastante tempo.

1785: Haydn (primeiro violino), Diitersdorf (segundo Violino), Mozart (viola), Vanhal (Cello) tocam perante Leopoldo Mozart os seis quartetos dedicados a Haydn. Graves crises financeiras, que já não cessarão nos últimos seis anos que lhe restam de vida.

1786-1787: Duas permanências em Praga para a estréia de Don Giovanni.

1787: Músico de câmara do imperador em substituição de Gluck, com um salário de oitocentos florins (Gluck cobrava dois mil).

1788-1789: Período de uma intensa atividade: As três últimas sinfonias (as três compostas em 6 semanas), Die Zauberflöte, La Clemenza di Tito, os dois últimos concertos para piano, os quintetos em mi bemol e ré maior, entre outra obras. Os apuros econômicos são dramáticos.

1791: No dia 26 de julho nasce o seu segundo filho. Mozart está super angustiado e emotivo. Recebe a encomenda anônima do Réquiem, e pensa que é um sinal de que trabalha para o próprio funeral. O misterioso desconhecido que encomendou o Réquiem é o Conde Welsegg, que encomendava músicas para depois executar com o seu nome. Em setembro, ao ir para Praga, está no limite de suas forças; em outubro e novembro está esgotado totalmente, já sem forças, pede que Süssmayer termine o Réquiem, coisa que esse faz. Mozart morre no dia 5 de Dezembro, e no seu atestado de óbito estava escrito " Eine Hitziges Frieselfieber" que quer dizer Nefrite Crônica (Mal de Bright), outros falam em tifo, urêmia. Seu corpo foi enterrado numa vala comum, e até hoje ninguém sabe onde está o seu corpo.

Fonte: Livro História da Música Clássica e Livro Três séculos de música para piano