
Nascido
em Veneza em 1670 (?), Antonio Caldara recebeu seu primeiro
treinamento musical como corista da Capella
Ducale na Basílica de San Marco e, provavelmente, como aluno de
Giovanni Legrenzi. Por volta de 1689 ele era conhecido como
violoncelista e compositor de um crescente número de óperas,
cantatas para solo e sonatas da chiesa e da camera. Apresentações
de suas óperas foram feitas em Veneza e Roma já nos anos 1690 e
uma visita a Roma nesta época implica em um encontro e talvez
aprendizado com Corelli, Alessandro Scarlatti e Pasquini.
Sua
primeira posição confirmada foi como Maestro
di Capella (1700-1707) dos príncipes de Mântua. Lá teve,
entretanto, oportunidade para outras visitas a Roma e a composição
de música de igreja e oratórios para o Cardeal Ottoboni. Este
contato foi novamente fortalecido no início de 1708 após a volta
de Caldara de Mântua e antes de sua partida para Barcelona e sua
primeira associação com a dinastia Habsburg na pessoa do
Arquiduque Carlos (Carlos III). A apresentação do Componimento da camera per musica: Il più bel nome nei festeggiarsi il
Nome Felicissimo di Sua Maestà Cattolica Elisabetha Christina Regina delle
Spagne (Composição de música de câmera: O mais belo nome a
festejar-se é o Felicíssimo Nome de Sua Majestade Católica
Elisabetha Christina, Rainha da Espanha), nos festejos do casamento
de Carlos III com Elisabeth Christine von Braunschweig-Lüneburg
(Barcelona, agosto de 1708), estabeleceram-no firmemente como um
favorito, e a despeito de seu regresso a Roma para assumir como Maestro
di Capella do príncipe Ruspoli (1709), os contatos com a Corte
Espanhola nunca foram rompidos. De fato, como seu desenvolvimento
posterior nos comprova, esta foi uma afortunada ligação.
À
luz da eminência de Ruspoli como patrono das artes, a indicação
de Caldara como diretor do conjunto de virtuosi
di canto e suono, formado por membros da nobreza, é prova do
prestígio que conseguira. Isto é confirmado por uma sucessão de
excelentes oratórios, cantatas profanas e música sacra.
Mas
a despeito de ser uma posição segura, as notícias da morte do
Imperador José I de Habsburgo (abril de 1711) e a proclamação de
seu irmão Carlos III da Espanha como Carlos IV, Sacro Imperador
Romano, levou Caldara até Viena na esperança de que o antigo
favoritismo lhe assegurasse uma colocação na Corte. No entanto, o Vice-Kapellmeister
Marc’Antonio Ziani havia sido tornado Kapellmeister
antes da chegada de Caldara, e Johann Joseph Fux conseguira o posto
de Vice-Kapellmeister.
Caldara retornou para sua posição em Roma – mantida por um contínuo
fluxo de composições mandadas de Viena – mas não antes de fazer
uma passagem por Salzburgo para pleitear os favores de Franz Anton
von Harrach, o Prícipe-Arcebispo.
Uma nova tentativa de conseguir colocação na Corte Imperial de Viena após a morte de Ziani em 1715 e uma promessa mais ou menos firme de uma indicação levaram Caldara finalmente a romper com Roma. Foi então indicado como Vice-Kapellmeister de Carlos VI em 1717, com Fux como Kapellmeister – uma posição que manteria até o fim de sua vida, em dezembro de 1736. As composições destes últimos vinte anos foram numerosas, variadas em gênero, freqüentemente brilhantes e sem dúvida excelentes em qualidade e maturidade, e muito pessoais na expressão e estilo, e acima de tudo, asseguraram para Caldara uma fama européia que perdurou por muito tempo após sua morte.