
Compositor e
flautista carioca. Era filho de Joaquim Antônio da Silva Calado e de
Matilde Joaquina de Sousa Calado. Seu pai tocava cornetim e foi
professor de música e mestre da Banda Sociedade União de Artistas,
além de pintor da Sociedade Carnavalesca Zuavos. Casou-se com
Feliciana Adelaide Calado, com quem teve cinco filhos: Leonor, Alice,
Luísa, Elvira e Artur. Viveu em uma modesta casa à Rua Visconde de
Itaúna, nº 40.
Calado
iniciou seus estudos musicais (piano e flauta) possívelmente com o
pai. Em 1856, começou a estudar composição e regência com Henrique
Alves de Mesquita. O curso foi logo interrompido porque o maestro, no
ano de 1857, seguiu em viagem de estudos para Paris. Devotou-se
inteiramente ao piano e à flauta, nesta tornando-se um virtuoso muito
popular no Rio de Janeiro da 2ª metade do século XIX. O músico
carioca foi no seu tempo o maior flautista brasileiro e rivalizava com
o amigo belga Mateus Reichert, que veio para o Rio a convite de D.
Pedro II.
Começou
a trabalhar como músico profissional desde muito jovem, tocando em
festas e bailes. É provável que sua primeira exibição em sala de
concertos, como flautista, tenha ocorrido em julho de 1866, numa
apresentação para a família imperial no Teatro Ginásio Dramático.
Em 1873 apresentou em concerto o lundu brasileiro, até então
considerado música de escravos. Seu Lundu
Característico obteve estrondoso êxito e lhe obteve a nomeação
para a cadeira de flauta no Imperial Conservatório de Música. Para
melhor se aperfeiçoar, Calado passou a estudar com o maestro Henrique
de Mesquita, que lhe ensinou composição e regência. Dava aulas
particulares e tocava em bailes e espetáculos que ajudava a
organizar.
Calado
era um mestiço extremamente simpático, repartia os cabelos ao meio e
os penteava para trás, deixando dos lados da cabeça dois tufos
salientes que o tornavam inconfundível. Usava sempre pince-nez
e seus longos bigodes caídos nos cantos dos lábios davam-lhe uma
expressão mongólica.
Sua primeira
composição - "Querosene" - data de 1863. Aos 19 anos,
obteve o seu primeiro sucesso com a quadrilha "Carnaval de
1867". Em 19 de julho do mesmo ano, perdeu o pai, aos 52 anos de
idade. No dia 13 de janeiro de 1869, conseguiu ver publicada, pela
primeira vez, uma obra sua: a polca "Querida por todos",
dedicada à compositora e amiga Chiquinha Gonzaga. A década de 1870
trouxe muitas vitórias profissionais a Calado. Foi nomeado professor
da cadeira de flauta do Conservatório de Música, por mérito. Teve
outras obras suas publicadas: a polca "Linguagem do coração",
em 1872; a polca "Íman", em 1873; as polcas " Como é
bom" (para flauta solo) e "Cruzes, minha prima", em
1875.
Seu prestígio
era tanto no fim dos anos 70, que em 1879 foi condecorado com a Ordem
da Rosa, no grau de Comendador, junto com os outros professores do
Conservatório. Esta era a mais alta condecoração oferecida pelo Império.
O compositor foi também nomeado professor de música do Liceu de
Artes e Ofícios do Rio de janeiro, por intermédio de seu padrinho, o
marechal-de-campo José Basileu Neves Gonzaga, pai de sua companheira
de "choro", Chiquinha Gonzaga.
Logo
após o carnaval de 1880, a população do Rio de Janeiro conviveu com
uma epidemia de meningite. Calado contraiu a doença e faleceu em março,
prematuramente, aos 32 anos, deixando viúva a mulher, órfãos os
cinco filhos e saudosos seus companheiros de "choro". Morreu
no dia 20 de março de 1880. Foi sepultado no dia 21, em cova rasa, no
Cemitério São João Batista, bairro de Botafogo, Rio de Janeiro.
Anos
depois, em 27 de julho de 1885, músicos da época organizaram um
recital no Teatro D. Pedro II, a fim de angariar fundos para a compra
de uma casa modesta na Rua do Conde, para a família do compositor e
de uma sepultura junto à de seu amigo Viriato, no Cemitério São
Francisco Xavier, no Caju.
Calado
elevou a virtuosidade da flauta, imprimiu estilo próprio à execução
desse instrumento, tocando a melodia em rápidos saltos oitavados, de
forma que os ouvintes tivessem a impressão de estarem ouvindo duas
flautas simultaneamente. Tornou-se exemplo para toda uma escola de
flautistas extraordinários, entre os quais, Viriato, Patápio Silva,
Nola, Plínio, Henrique Flauta, Pixinguinha, Benedito Lacerda e
Altamiro Carrilho.
É
considerado por todos os estudiosos da música popular brasileira como
a figura de proa na implantação e fixação do "Choro",
nos últimos 20 anos do Império no Brasil, chamando-o de o "Pai
dos Chorões". Calado foi pioneiro, e bem pode ser considerado o
criador do choro, ao incorporar a flauta aos violões e cavaquinhos,
instrumental comum aos conjuntos da época. Seu grupo, que ficou
conhecido como "O Choro de Calado", era constituído por um
instrumento solista, no caso a flauta, dois violões e um cavaquinho.
Aos três instrumentistas de cordas exigia-se boa capacidade de
improvisar sobre o acompanhamento harmônico. O compositor trabalhou
com inúmeros instrumentistas, que se destacaram na fase de fixação
da nova maneira de interpretar modinhas, lundus,valsas e polcas. Eram
muitos os chorões da época de Calado. Dentre estes, podemos citar:
os flautistas Viriato (seu grande amigo), Luisinho, Bacuri, Inacinho
Flauta, Soares Caixa-de-fósforos, Artur Fluminense; os violonistas
Juca Vale, Manduca do Catumbi, Capitão Rangel e o cavaquinista Zuzu
Cavaquinho.
Renato Almeida afirmou que "na música de Calado há uma sensibilidade nitidamente nossa, não só na lírica, como no modo de compor e no trato dos instrumentos". Ainda hoje se ouve sua polca Flor Amorosa, que recebeu versos de Catulo.
- Fontes: http://www.dicionariompb.com.br/