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COMPOSITORES FAMOSOS

Joaquim Antônio da Silva Calado 
(Rio de Janeiro 1848 - Idem 1880)

Compositor e flautista carioca. Era filho de Joaquim Antônio da Silva Calado e de Matilde Joaquina de Sousa Calado. Seu pai tocava cornetim e foi professor de música e mestre da Banda Sociedade União de Artistas, além de pintor da Sociedade Carnavalesca Zuavos. Casou-se com Feliciana Adelaide Calado, com quem teve cinco filhos: Leonor, Alice, Luísa, Elvira e Artur. Viveu em uma modesta casa à Rua Visconde de Itaúna, nº 40.

Calado iniciou seus estudos musicais (piano e flauta) possívelmente com o pai. Em 1856, começou a estudar composição e regência com Henrique Alves de Mesquita. O curso foi logo interrompido porque o maestro, no ano de 1857, seguiu em viagem de estudos para Paris. Devotou-se inteiramente ao piano e à flauta, nesta tornando-se um virtuoso muito popular no Rio de Janeiro da 2ª metade do século XIX. O músico carioca foi no seu tempo o maior flautista brasileiro e rivalizava com o amigo belga Mateus Reichert, que veio para o Rio a convite de D. Pedro II.

Começou a trabalhar como músico profissional desde muito jovem, tocando em festas e bailes. É provável que sua primeira exibição em sala de concertos, como flautista, tenha ocorrido em julho de 1866, numa apresentação para a família imperial no Teatro Ginásio Dramático. Em 1873 apresentou em concerto o lundu brasileiro, até então considerado música de escravos. Seu Lundu Característico obteve estrondoso êxito e lhe obteve a nomeação para a cadeira de flauta no Imperial Conservatório de Música. Para melhor se aperfeiçoar, Calado passou a estudar com o maestro Henrique de Mesquita, que lhe ensinou composição e regência. Dava aulas particulares e tocava em bailes e espetáculos que ajudava a organizar.

Calado era um mestiço extremamente simpático, repartia os cabelos ao meio e os penteava para trás, deixando dos lados da cabeça dois tufos salientes que o tornavam inconfundível. Usava sempre pince-nez e seus longos bigodes caídos nos cantos dos lábios davam-lhe uma expressão mongólica.

Sua primeira composição - "Querosene" - data de 1863. Aos 19 anos, obteve o seu primeiro sucesso com a quadrilha "Carnaval de 1867". Em 19 de julho do mesmo ano, perdeu o pai, aos 52 anos de idade. No dia 13 de janeiro de 1869, conseguiu ver publicada, pela primeira vez, uma obra sua: a polca "Querida por todos", dedicada à compositora e amiga Chiquinha Gonzaga. A década de 1870 trouxe muitas vitórias profissionais a Calado. Foi nomeado professor da cadeira de flauta do Conservatório de Música, por mérito. Teve outras obras suas publicadas: a polca "Linguagem do coração", em 1872; a polca "Íman", em 1873; as polcas " Como é bom" (para flauta solo) e "Cruzes, minha prima", em 1875.

Seu prestígio era tanto no fim dos anos 70, que em 1879 foi condecorado com a Ordem da Rosa, no grau de Comendador, junto com os outros professores do Conservatório. Esta era a mais alta condecoração oferecida pelo Império. O compositor foi também nomeado professor de música do Liceu de Artes e Ofícios do Rio de janeiro, por intermédio de seu padrinho, o marechal-de-campo José Basileu Neves Gonzaga, pai de sua companheira de "choro", Chiquinha Gonzaga.

Logo após o carnaval de 1880, a população do Rio de Janeiro conviveu com uma epidemia de meningite. Calado contraiu a doença e faleceu em março, prematuramente, aos 32 anos, deixando viúva a mulher, órfãos os cinco filhos e saudosos seus companheiros de "choro". Morreu no dia 20 de março de 1880. Foi sepultado no dia 21, em cova rasa, no Cemitério São João Batista, bairro de Botafogo, Rio de Janeiro.

Anos depois, em 27 de julho de 1885, músicos da época organizaram um recital no Teatro D. Pedro II, a fim de angariar fundos para a compra de uma casa modesta na Rua do Conde, para a família do compositor e de uma sepultura junto à de seu amigo Viriato, no Cemitério São Francisco Xavier, no Caju.

Calado elevou a virtuosidade da flauta, imprimiu estilo próprio à execução desse instrumento, tocando a melodia em rápidos saltos oitavados, de forma que os ouvintes tivessem a impressão de estarem ouvindo duas flautas simultaneamente. Tornou-se exemplo para toda uma escola de flautistas extraordinários, entre os quais, Viriato, Patápio Silva, Nola, Plínio, Henrique Flauta, Pixinguinha, Benedito Lacerda e Altamiro Carrilho.

É considerado por todos os estudiosos da música popular brasileira como a figura de proa na implantação e fixação do "Choro", nos últimos 20 anos do Império no Brasil, chamando-o de o "Pai dos Chorões". Calado foi pioneiro, e bem pode ser considerado o criador do choro, ao incorporar a flauta aos violões e cavaquinhos, instrumental comum aos conjuntos da época. Seu grupo, que ficou conhecido como "O Choro de Calado", era constituído por um instrumento solista, no caso a flauta, dois violões e um cavaquinho. Aos três instrumentistas de cordas exigia-se boa capacidade de improvisar sobre o acompanhamento harmônico. O compositor trabalhou com inúmeros instrumentistas, que se destacaram na fase de fixação da nova maneira de interpretar modinhas, lundus,valsas e polcas. Eram muitos os chorões da época de Calado. Dentre estes, podemos citar: os flautistas Viriato (seu grande amigo), Luisinho, Bacuri, Inacinho Flauta, Soares Caixa-de-fósforos, Artur Fluminense; os violonistas Juca Vale, Manduca do Catumbi, Capitão Rangel e o cavaquinista Zuzu Cavaquinho.

Renato Almeida afirmou que "na música de Calado há uma sensibilidade nitidamente nossa, não só na lírica, como no modo de compor e no trato dos instrumentos". Ainda hoje se ouve sua polca Flor Amorosa, que recebeu versos de Catulo.

Fontes: http://www.dicionariompb.com.br/
http://www.abmusica.org.br/

 

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