
Não
existe nenhum documento que permita confirmar o lugar ou a data de
nascimento de Buxtehude, e mesmo sua nacionalidade é assunto de
controvérsia. A única informação contemporânea nos vem de uma
nota publicada do "Nova
Literia Maris Balthici", pouco tempo após sua morte:
"Ele
reconheceu a Dinamarca como sua terra nativa, visto que se
estabeleceu em nossa região; viveu aqui aproximadamente 70
anos."
Embora
sua família fosse originária da cidade de Buxtehude, no sudoeste
de Hamburgo, seus antepassados se estabeleceram, no início do século
XVI, em Oldesloe, no Ducado de Holstein. Seu pai, Johannes
(1602-1674), era organista e mestre-escola e sua presença em
Oldesloe é documentada até 1638, quando se mudou para Helsingborg,
no distrito de Scania (agora Halsingborg, Suécia), para tornar-se
organista da igreja Marienkirche. Tanto Holstein como a Scania
estavam, neste tempo, sob o controle dinamarquês. Um pouco mais
tarde em 1641 ou em 1642, muda-se para Helsingor, na Dinamarca, para
assumir o posto de organista na igreja de Olaikirche, uma posição
que ocupou até sua aposentadoria em 1671.
Dietrich
Buxtehude estudou provavelmente na Lateinschule
de Helsingor e recebeu, de seu pai, sua instrução musical. Em 1657
ou em 1658, torna-se organista da antiga igreja de seu pai em
Helsingborg e, em 1660, vai para Helsingor, uma comunidade da língua
alemã, como organista da igreja Marienkirche. Na altura da morte de
Franz Tunder, em 5 de novembro de 1667, o cargo de organista da
igreja Marienkirche de Lübeck, uma das posições mais prestigiosas
do norte da Alemanha, torna-se vago. Depois de diversos outros
organistas tentarem obter o posto, mas não sendo mantidos,
Buxtehude foi selecionado em 11 de abril de 1668. Ao mesmo tempo, é
nomeado Werkmeister, uma
posição que incluía as tarefas de secretário, tesoureiro e
agente administrativo da igreja; esta colocação, compreendendo um
salário à parte, normalmente era confiada ao organista. Buxtehude
torna-se cidadão de Lübek em 23 de julho de 1668 e, alguns dias
mais tarde, em 3 de agosto de 1668, casa-se com Anna Margarethe
Tunder, filha de seu predecessor. Não está absolutamente certo de
que esta união tenha sido uma condição para a assunção ao
cargo, como será o caso com seu sucessor, mas este hábito não era
incomum nestas épocas. A filha mais velha, Augusta Sophie, já
havia casado com o Kantor
da igreja, Samuel Franck. O pai de Buxtehude juntou-se a ele em Lübek
em 1673 e seu irmão, Peter, um barbeiro, seguiu-o em 1677.
As
tarefas principais de Buxtehude consistiram em tocar no serviço
principal diário, no serviço da tarde de domingo e dos dias de
festa, bem como nas Vésperas diariamente. Além de executar os prelúdios
usuais para os corais da comunidade e os cantos do coro, Buxtehude
tocava durante a comunhão, e aqui freqüentemente com a participação
dos instrumentistas ou dos cantores, ou ambos, remunerados pela
igreja. Uma parte de sua fama, entretanto, repousa sobre uma
atividade que estava fora de suas funções oficiais na igreja:
pouco após sua chegada em Lübek, reativou a série de concertos
dados na igreja, chamados "Abendmusik",
programados por Thunder em uma manhã por semana, mas Buxtehude
passou-os para imediatamente depois do serviço vespertino, em cinco
domingos por ano – os dois que se seguiam à festa da Trindade e o
segundo, terceiro e quarto do Advento. Nenhuma composição que
pudesse ter sido executada nestes concertos sobreviveu, ainda que
quase certamente algumas de suas peças vocais devam ter sido
usadas.
Buxtehude
cumpriu fielmente suas tarefas para com a igreja de Marienkirche
durante quase 40 anos. A única referência quanto às suas viagens
é uma visita em Hamburgo, em 1687, para examinar lá um órgão de
Schnitger instalado recentemente na igreja de Nikolaikirche. Estava
em contato, de uma maneira ou outra, com os principais outros músicos
alemães de seu tempo. Era amigo da família Duben de Estocolmo. É
à vasta coleção de manuscritos de música sacra de Gustaf Duben
que se deve a conservação de quase toda a música vocal de
Buxtehude. É também a fonte para as obras de Kaspar Forster, que
Buxtehude parece ter conhecido pessoalmente ou através de Duben.
Sua amizade, em Lübek, com Johann Theile é atestada por um poema
composto para a Paixão de Cristo que Theile publicou em 1673. De
acordo com Mattheson, Theile ensinou Buxtehude mas é mais provável
que os dois músicos considerassem a si mesmos como colegas. Os
poemas de Buxtehude foram publicados também no “Harmonologia
musica” (1702) de Andreas Werckmeister. Foi também
Werckmeister que transmitiu a J.G. Walther diversas das composições
para órgão de Buxtehude, cujas cópias ainda existem.
Entre
a geração mais nova de organistas, Nicolaus Bruhns era seu aluno,
e Pachelbel dedicou-lhe seu "Hexachordum
Apollonis" (1699). Mattheson e Haendel visitaram-no, em Lübek,
em 17 de agosto de 1703. Mattheson, considerado como seu possível
sucessor, declinou da oferta quando soube da imposição de
casamento embutida no contrato. A documentação a respeito da
famosa viagem de Bach a Lübek consta no relatório do Consistório
de Arnstadt, de 21 de fevereiro de 1706, onde que se lê como
"foi a Lübek aprender lá das coisas a respeito de sua
arte" e que pediu uma permissão para uma ausência de quatro
semanas, mas permaneceu lá por um tempo aproximadamente quatro
vezes maior. Estava lá provavelmente para as Abendmusik
extraordinárias que comemoraram a morte do imperador Leopold I e a
ascensão de Joseph I, entre 2 e 3 dezembro de 1705. Está claro,
pelo obituário de Bach, que o objetivo de sua visita era ouvir
Buxtehude ao órgão.
Fonte: http://alambix.uquebec.ca/