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COMPOSITORES FAMOSOS

Ludwig Van Beethoven
Bonn, 16 de Dezembro de 1770 -  Viena, 26 de Março de 1827

Filho de Johan Van Beethoven (1740-1792), tenor na capela de Colônia e M.M. Kerevich (1746-1787) que era filha de um cozinheiro. Tiveram sete filhos, dos quais só 3 sobreviveram: Ludwig, Nicolas Johan e Kaspar.

Beethoven nasceu em Bonn, no dia 16 de dezembro de 1770. Há quem diga que ele foi o maior gênio da música em todos os tempos. Outros, simplesmente afirmam que ele está acima de qualquer classificação. Na história da música, após o surgimento de grandes nomes como Haendel, Haydn, Bach e Mozart, a referências mudam no caso de Beethoven. Beethoven revolucionou a maneira de se tocar e tratar o piano, de compôr, da construção das sonatas à estrutura das orquestrações. Foi o primeiro a se preocupar com a imortalidade de sua obra. Sua música foi criada para a eternidade, e essa foi sua fortaleza e seu tormento.

Definia-se como artista e exigia ser tratado como tal, ou seja, no mesmo patamar dos nobres aristocratas que o financiavam. Foi um revolucionário em seu trabalho e também em sua postura diante da sociedade da época. Muitos o achavam louco.

Seu pai era um músico medíocre, empregado da Corte de Bonn. Desde pequeno, Beethoven foi considerado um prodígio, e como acontece com toda criança definida assim, sofreu os rigores de uma educação severa, marcado também pelas surras que levava de seu pai. Mas ao contrário da maioria, rebelou-se desde o começo, e esse espírito rebelde foi conservado até o final de seus dias. Seu pai tinha a grande esperança de que Beethoven se tornasse "Um segundo Mozart".

Compositor de grande originalidade e força interior, aprendeu as lições dos mestres de seu tempo, mas sempre trilhou seu próprio caminho. Herdou alguma coisa de Haydn, pois Beethoven não era um aluno o qual era fácil ensinar. Seus cadernos de harmonia foram consideradas inadmissíveis por um professor, e rebateu: "Quem proibiu essas harmonias? Eu admito cada uma delas."

Em 1792, Beethoven mudou-se para Vienna, e lá as platéias levaram um susto, pois estavam acostumados ao estilo refinado e polido dos pianistas que moravam lá. Beethoven procurava explorar todos os sons do piano, queria tirar uma orquestra inteira dele, desejava romper limites. Mais tarde Robert Schumann comentou que as sonatas de Beethoven eram Sinfonias disfarçadas.

Participou de duelos e desafios musicais com os grades pianistas de Vienna, e derrotou todos, um a um. Ele foi o primeiro virtuose do piano moderno, e há que assegure, que de toda a história.

Os grandes gênios da música, como Haydn e Mozart, comiam na mesa destinada aos serviçais. Beethoven exigia sentar-se ao lado do anfitrião pois podia se dar a esse luxo, pois sabia que era diferente e que tinha algo extraordinário a oferecer.

Beethoven era um homem feio, tinha cerca de 1,70m de altura, era corpulento. Sua cabeça era grande e tinha uma cabeleira rebelde e desgrenhada, tinha dentes grandes e nariz arredondado. Tinha o costume de cuspir onde quer que fosse, do chão mais sujo ao tapete centenário. Era desajeitado, por onde andava espalhava a destruição. Era extremamente mal-humorado e não tinha o menor refinamento. Se formos comparar Chopin e Beethoven nestes aspectos, Beethoven poderia ser considerado um troglodita completo. Sempre solteiro, morou em lugares sempre bagunçados e pouco limpos. Viveu desse jeito porque quis, apesar de sempre ter o apoio de algum aristocrata.

Por volta de 1800, Beethoven começou a padecer de um mal que o acompanharia até seu último dia de vida: A SURDEZ. Beethoven escreveu a um amigo nesta época:

"Meus ouvidos têm um zumbido, dia e noite. Posso dizer que estou tendo uma vida desgraçada porque não posso contar às pessoas que estou ficando surdo. Só para que você tenha uma idéia dessa surdez singular, devo dizer que no teatro eu preciso me aproximar muito da orquestra para compreender o autor. Se me afasto um pouco, não consigo escutar absolutamente nada. Consigo, volta e meia, ouvir uma conversa em voz baixa, mas não entendo as palavras, e se alguém grita a sensação é insuportável."

Em 1807 Beethoven continuou tentando disfarçar o que estava acontecendo, mas já estava totalmente surdo, e às vezes, para seu desespero, ouvia alguma coisa e depois voltava ao silêncio absoluto. Nunca se soube o que causou a surdez de Beethoven, mas muitos acreditam que tenha sido Tifo ou Sífilis de nascença.

Para quase todos era difícil imaginar como um surdo poderia ensaiar uma orquestra e reger um concerto, mas há um depoimento de Joseph Böhm, que integrava um quarteto de cordas que ia tocar na estréia do quarteto em mi bemol Op.127, em 1825:

"Estudamos e ensaiamos com dedicação diante dos olhos do próprio Beethoven. E digo isso de maneira intencional, pois este pobre homem já estava tão surdo que não conseguia ouvir os sons celestiais de suas próprias composições. E, no entanto, não era fácil ensaiar na presença dele, pois com certeira atenção, seus olhos seguiam o movimento dos arcos, e assim podia julgar as imperfeições do tempo ou do ritmo e corrigi-las

Sua angústia foi piorando a cada dia. Num dos piores momentos de sua vida, ele estava escrevendo a Sinfonia No.3 Heróica, que estreou em 1805. Para os estudiosos, essa sinfonia é um ponto de mudança radical na história da música. Até aquele momento, Beethoven era um compositor cuja raiz estava no século XVIII. Vários de seus trabalhos apontavam em um novo rumo para a música. Suas primeiras duas sinfonias foram escritas dentro do padrão da sinfonia clássica. Suas primeiras sonatas principalmente a Patética e Ao Luar eram bastante mais avançadas que as obras de Mozart e Haydn, pela sonoridade e pela expressão.

Em 1811, a produção de Beethoven diminuiu consideravelmente. Sua vida pessoal estava cada vez mais complicada; sua alma cada vez mais atormentada conforme sua surdez avançava, e mergulhou em seu mundo interior. Chegou a dizer uma vez:

"Não é possível eu dizer para alguém: Fale mais alto, berre, pois sou surdo. Como pode o único dos sentidos que em mim deveria ser maior que nos outros largar-me?"

Entre 1815 e 1820, escreve apenas 6 obras, entre elas está a famosa Sonata No.29 em Si bemol maior Op.106 "Hammerklavier", que é a mais grandiosa, longa e difícil de todas as sonatas da história. Seu último movimento é um fuga quase impossível de ser tocada.

Beethoven sempre trabalhou de maneira lenta. Mozart fazia sinfonias em dias, Beethoven demorava meses, às vezes, anos. Corrigia muito as músicas antes de apresentá-las. O tema da 5a. Sinfonia foi reescrito pelo menos umas 5 vezes.

Beethoven é classificado muitas vezes como a ponte que ligou o período clássico e romântico na história da música. É verdade, mas apenas em parte. Há na música de Beethoven muito mais do que traços da música romântica, pois ele foi o último renascentista, o último barroco, o último clássico, enquanto foi o primeiro romântico, o primeiro expressionista, o primeiro moderno, sua música é onde o passado desembocou e onde o futuro se baseou. Ele foi a ponte entre o que havia antes e o que viria depois.

Em 1824 foi a apresentação da 9a. Sinfonia. Houve apenas dois ensaios, e a estréia foi um desastre. O coro não conseguia alcançar as notas mais altas. Beethoven nem respondeu aos protestos dos cantores. O público ficou seduzido pela obra mesmo assim, e ao final do primeiro movimento foi aplaudido por longos minutos. No final da obra, foi louvado mais ainda, e foi preciso que alguém o fizesse se virar para contemplar os aplausos e louvores, que para Beethoven, era a vitória silenciosa.

Beethoven morreu três anos depois, em 26 de março de 1827. Enfrentou uma longa doença, recolhido em sua casa. Conta-se que no momento de sua morte, um relâmpago rasgou o céu, um trovão rompeu o silêncio e Beethoven, moribundo, ergueu o corpo na cama e, furioso, agitou o punho para o alto.

Não existe nenhuma testemunha para confirmar se isso aconteceu realmente, mas é justo imaginar que tenha sido verdade. Beethoven passou a vida desafiando tudo, seria natural na sua hora desafiar a própria morte e a Deus.

Cronologia da vida de Beethoven

1778-1781: É lecionado pelo pai. Dá alguns concertos de menino prodígio; para favorecer sua carreia, fazem-no dois anos mais novo.

1781: Abandona a escola obrigado pelo pai. Estuda com Christian Neefe (1748-1798), organista e compositor. Freqüenta a casa dos Von Breunig, onde completa sua formação escolar.

1784: Segundo organista da corte, depois (1785) ensaiador de teatro. Começa a ter uma clientela de alunos.

1787: Estadia em Viena interrompida pela morte da mãe

1789: Inscrição na Faculdade de letras de Bonn.

1792: Beethoven volta a Viena com o intuito de ter aulas com Haydn, que encontrara alguns meses antes em Bonn, mas suas lições com ele desiludem-no. Beethoven toca por toda a parte. Participa de muitos duelos musicais (Venceu todos), um dos maiores mestres no improviso musical.

1794-1800: Aluno de Salieri.

1795-1799: Concertos em Viena, Praga, Dresden, Nuremberg, Budapeste, Berlim. Em Viena, toca o primeiro concerto para piano em Si bemol (Primeiro em data, mas publicado como segundo) no Burgtheater. No mesmo teatro toca um concerto de Mozart em favor de Constanze Mozart. Improvisa ao piano por toda a parte.

1800: Composição dos quartetos Op.18. Chegada dos Brunswich à Viena. Primeiros problemas auditivos.

1801-1804: Paixão por Guilietta Guicciardi, da Sonata Ao Luar. Compreende estar ficar irremediavelmente surdo. Crise de depressão. Escreve o testamento de Heillgentadt. Seu gênio torna-se sombrio, isola-se voluntariamente e a sua instabilidade cresce (mudou mais de 40 vezes de casa, durante a vida). Crises sucessivas de depressão. Beethoven já está completamente surdo.

1805-1807: Paixão por Josephine Von Brunswich. Os franceses entram em Viena, Criação da obra Fidélio.

1808-1809: Primeira audição das quinta e sexta sinfonias, da fantasia para piano e do quarto concerto. É a última vez que Beethoven toca em público.

1810: Lhe é recusada a mãe de Theresa Malfatti. Desespero interior. Encontro com Betinna Brentano.

1812: Beethoven escreve a carta para "Minha Amada Imortal", banhada de uma paixão infinita e desesperada. Até hoje ninguém sabe quem é esta mulher.

1815: Início da tutela sobre o seu sobrinho Karl (1806-1858). Agravamento no estado de saúde: Afecções pulmonares, hepáticas, oculares, reumáticas. Solidão total. Durante cinco anos não compõe quase nada.

1822-1823: Beethoven recebe a visita de Rossini, Schubert, Weber e Liszt.

1824: Primeira audição da nona sinfonia e da Missa Solemnis. Sucesso estrondoso.

1826: Beethoven morre na tarde de 26 de março de cirrose. Nas suas obséquias, que foram seguidas de uma enorme multidão (30.000 pessoas, que na época era muita gente), Czerny e Schubert estavam no enterro.

Beethoven e as mulheres

Beethoven morreu solteiro, e ao que tudo indica, foi profundamente infeliz no amor. Vamos mostrar agora algumas da mulheres pelas quais Beethoven passou.

Magdalena Willmann (??-??): Cantora conhecida em 1792. Amor sem grandes consequências, apesar de um pedido de casamento recusado por ela: " Ele é feio demais e meio louco".

Guilietta Guicciardi (1784-1856):Mulher frívola e sedutora. É a Condessa da Sonata Op.27, a quem dedicou essa sonata conhecida como Ao Luar. Essa mulher inspira em Beethoven uma grande paixão de 1801 até 1803. Tem dezessete anos quando o conhece e se torna sua aluna. Ela o considera um amigo, quase um pai. Em 1803, casa com o Conde Von Gallenberg.

Josephina Von Brunswich (1779-1821): É a ela que dedica as sonatas Op.31. Conhece-a em 1799, ano em que ela se casou com o Conde Von Deym de quem ficou viúva em 1804. Amizade e cumplicidade musical, compreensão mútua, depois paixão e projetos de casamento. Em 1810, casa contrariada com o Barão Von Stackelberg, que morre em 1812. Por que ela não casou com Beethoven? 

Theresa Von Brunswich (1775-1861): Irmão mais velha de Josephine, conheceu-a ao mesmo tempo. É a ela que Beethoven dedica a Sonata Op.78. Longa e profunda amizade, compreensão íntima. Fiel, dedicada, idealista, ajuda as pessoas e dedica-se a educação das massas e dos filhos da irmã. Nunca se casou.

Maria Von Erdödy (1779-1837): Dedica a ela os Trios Op.70 (Trio Fantasma) e a Sonata Op.102 n°2. Conheceu-a em 1803. profunda e terna amizade recíproca, nos qual as discussões tempestuosas não apagaram. Beethoven mora na casa dela entre 1808 e 1809, ela fez de tudo para torná-lo feliz. Continuaram a ser amigos quando ela partiu para Itália.

Theresa Malfatti (1792-1856): Tem dezessete anos, e ele tem trinta e nove, quando se conhecem, em 1809. Ela é uma mulher muito bonita, frívola, superficial mas inteligente, que pertence a uma família rica, burguesa. Amor a primeira vista, cartas apaixonadas, inquietas (Beethoven já estava desesperado, antes do fracasso). É uma grande paixão atormentada, que deu origem a Hoffnung e a Sehnsucht. Em 1810, um pedido de casamento esbarra com a recusa da família. Theresa se casa em 1817 com o Barão Von Drosdick. Beethoven nunca deixara de pensar nela.

Bettina Brentano (1785-1859): Poetisa romântica, amiga de Goethe e, mais tarde, de Schumann e de Brahms. Atravessa na vida de Beethoven em 1810, num dos piores momentos, A sua amizade próxima do amor será sempre uma recordação feliz. Compreende o músico de forma admirável. No mesmo ano, Bettina casa-se com Joachim Von Arnim (1781-1831). 

Amalia Sebald (1786-??): Cantora Berlinense de grande talento. Weber a elogia muito. A sua ligação com Beethoven (1881-1812) é uma aventura passageira, sem consequências.

Quem é a "Amada Imortal"?

Esse é um dos grandes mistérios sobre a vida de Beethoven e arrisco-me a dizer: Até da humanidade. Até hoje ninguém sabe ao certo quem é essa moça de sorte, mas muitos estudos indicam que quando a carta foi escrita em 1812, poderia-se tratar de Theresa Malfatti, como se supôs muito tempo, ou então Josephine Von Brunswich.

Fonte: Livro História da Música Clássica e o Livro Três séculos de música para piano

Obras de Beethoven
Escocesa (Por Gregório Calleres)
Variações Paisiello (Por Gregório Calleres)
Sonata ao Luar - 1° movimento (Piano: Gregório Calleres)

 

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